23 de março de 2011

Palestras alertam moradores de Paulista sobre sintomas e cura da tuberculose

Reprodução / TV Globo

Tuberculose tem tratamento gratuito, custeado pelo SUS mas, mesmo assim, poucas pessoas procuram os postos e nem todas continuam com a medicação até o fim

A cidade de Paulista, no Grande Recife, tem uma programação especial de palestras, nesta quarta-feira (23), dentro da agenda da Semana de Combate à Tuberculose. Pernambuco tem incidência de casos da doença maior que a registrada no resto do Brasil: são 45 por 100 mil habitantes, uma média de 4.200 novos pacientes a cada ano – em média, 380 morrem por causa da doença, no mesmo período.

As palestras acontecem a partir das 9h na sala da Assistência Social, no posto do INSS da cidade, que fica na praça Agamenon Magalhães. “Vamos explicar os sinais e sintomas, como o paciente pode procurar tratamento na cidade, onde encontrar o pneumologista, explicar a cura. Apesar de ser uma doença antiga, ainda está matando muita gente”, afirma a coordenadora do Programa de Tuberculose de Paulista, Cecília Silva (foto 2).

Este ano, a cidade já registrou 18 casos de tuberculose; em 2010, ao longo de todo o ano, foram 110 casos. “Toda unidade de saúde do município está capacitada para diagnosticar e atender os pacientes com tuberculose”, assegura Cecília.

A tuberculose é uma doença infecciosa, causada pelo bacilo de Koch e que compromete os pulmões. Ao contrário do que muita gente pensa, ninguém adoece porque apertou a mão, beijou ou usou os talheres de uma pessoa infectada. A transmissão se dá através do espirro e da tosse. A tosse persistente por duas semanas ou mais é o principal sintoma da tuberculose. Em estágio mais adiantado, ela provoca emagrecimento, febre à tarde e suor à noite.

80% dos casos da doença em todo o mundo estão concentrados em 22 países, entre eles o Brasil, com a média de 37 pessoas com tuberculose para cada 100 mil habitantes. O que chama atenção é que a tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito, custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo assim, poucas pessoas procuram os postos de saúde e dessas muitas não levam o tratamento até o fim.

Esse abandono, de acordo com os especialistas, deixa as bactérias mais resistentes, trazendo prejuízos para o sistema de saúde e, principalmente, para os pacientes. “O tratamento comum custa pouco mais de R$ 160,00, enquanto o multirresistente sai, no mínimo, por R$ 4 mil. O tratamento comum é feito normalmente em 6 meses, o multirresistente vai durar no mínimo 18 meses. Em termos de cura, ela tem índices de 98% a 99% no comum, mas cai para 60% no multirresistente”, afirma a pneumologista Paula Athayde (foto 3).

A coordenadora do Programa Estadual de Combate à Tuberculose, Laíze Brilhante (foto 4), conta que, devido às condições em que vivem, as comunidades indígenas, os portadores do vírus HIV, os moradores de rua e os presidiários têm recebido uma atenção especial. Médicos e enfermeiros também passam por capacitação para colocar em prática o Tratamento Diretamente Observado (DOT), que vem apresentando ótimos resultados em vários países. “Uma vez iniciado o tratamento, a equipe de saúde pode supervisionar a tomada da dose, ver o paciente tomando a medicação. O ideal é que ele tome a medicação na frente do profissional de saúde todos os dias ou três vezes por semana, e que não abandone o tratamento. Caso ele abandone, assim podemos fazer a busca para que ele possa retornar e continuar”, defende.

No Recife, o hospital Otávio de Freitas é referência no tratamento da tuberculose. A unidade de saúde fica na rua Aprígio Guímarães, no bairro de Tejipió. O telefone geral é o (81) 3252-8500.

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